Painel: inovação amplia eficiência e sustentabilidade na indústria do alumínio
Na ABM Week, encontro organizado em parceria com a ABAL apresentou avanços em reciclagem, processos de pintura e manufatura aditiva como caminhos para aumentar a competitividade e reduzir impactos ambientais
Fonte: Assessoria ABM
A busca por maior eficiência produtiva e redução dos impactos ambientais tem impulsionado transformações na indústria do alumínio. Reciclagem, evolução dos processos de tratamento e pintura e novas tecnologias de fabricação estão entre as frentes que vêm aproximando competitividade econômica e sustentabilidade no setor. Esse movimento foi discutido durante o “Painel Alumínio e Inovação – Promovendo eficiência econômica e sustentabilidade ambiental”, realizado durante a 10ª ABM Week, em São Paulo.
Organizado em uma parceria da ABM com a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), o painel reuniu especialistas para apresentar diferentes perspectivas sobre a inovação de processos e produtos no setor. A programação foi moderada por Michelle Aparecida Avila Araujo, gerente comercial da AMG Brasil, e contou com apresentações sobre alumínio reciclado, evolução dos processos de pintura e manufatura aditiva.
Um dos destaques foi a evolução da reciclagem de alumínio no Brasil. José Roberto Martinez do Canto, sócio conselheiro do Grupo Recicla BR, destacou que o país alcançou, em 2022, a posição de maior produtor de alumínio reciclado e que, em 2024, 57% do consumo de alumínio foi proveniente de material reciclado.
Segundo o especialista, a estrutura consolidada da cadeia de reciclagem brasileira é um dos fatores que contribuem para esse desempenho. Ele observou que é cada vez mais difícil encontrar latas de alumínio descartadas nas ruas, já que o valor associado à sucata estimula a coleta e o retorno do material à cadeia produtiva.
Martinez também chamou atenção para novos desafios relacionados à disponibilidade de sucata e à rastreabilidade. O aumento da demanda internacional pelo material reciclável exerce pressão sobre o mercado brasileiro, enquanto o acompanhamento da origem da sucata pode acrescentar custos à cadeia. Entre as iniciativas apresentadas está o incentivo à instalação de câmeras por parte dos coletores ligados à Recicla BR, como forma de ampliar o controle e a rastreabilidade do material.
Processos mais eficientes e novas tecnologias
A evolução dos processos de pintura também foi abordada por Eliezer Almeida, coordenador de Operações de Negócios da ALAR Produtos Químicos. A apresentação mostrou a transição de processos que utilizavam cromo hexavalente para alternativas mais recentes, incluindo tecnologias baseadas em titânio.
De acordo com Almeida, a transformação ocorreu de maneira gradual. Na década de 1990, a anodização tinha forte presença no mercado, enquanto os anos 2000 foram marcados pela expansão da pintura eletrostática. A partir de 2010, o processo ganhou consolidação com a evolução das normas e das linhas industriais, movimento que também foi acelerado pelas mudanças provocadas pela pandemia.
A mudança foi influenciada por quatro fatores principais: tendências estéticas e arquitetônicas, eficiência e escala de produção, viabilidade econômica e investimentos, além de aspectos ambientais e gestão de resíduos. A pintura eletrostática, segundo o especialista, apresenta vantagens tanto ambientais quanto relacionadas às condições de trabalho.
Outro exemplo de transformação tecnológica apresentado no painel foi a manufatura aditiva de alumínio, tema da palestra de Lucas Salomão Peres, consultor de processos da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). A técnica de fusão a laser de pó permite produzir componentes com geometrias complexas, como paredes, canais e estruturas reticuladas, que podem ser mais difíceis de obter por métodos convencionais, como usinagem, fundição ou conformação.
Além de ampliar as possibilidades de desenvolvimento de componentes, a tecnologia pode contribuir para reduzir a geração de sucata e a necessidade de retrabalho, ao permitir que determinadas geometrias sejam construídas diretamente a partir do processo de fabricação.
As experiências apresentadas reforçam a diversidade de caminhos tecnológicos disponíveis para o alumínio e mostram que a inovação pode atuar simultaneamente sobre diferentes dimensões da indústria. Da ampliação da circularidade do material à modernização de processos e à adoção de novas formas de fabricação, as soluções discutidas apontam para uma indústria mais eficiente e preparada para responder às demandas ambientais e econômicas.
O painel integrou a programação da ABM Week 10, principal evento técnico-científico e empresarial da América Latina voltado aos setores de metalurgia, materiais e mineração. A edição comemorativa de dez edições reuniu empresas, pesquisadores, profissionais e estudantes para discutir avanços tecnológicos e os principais desafios da indústria.
Sobre a 10ª ABM Week
Realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, a ABM Week é o principal evento técnico-científico e empresarial da América Latina voltado aos setores de metalurgia, materiais e mineração. A programação reúne congressos, seminários, simpósios, mesas-redondas, painéis, sessões técnicas e espaços dedicados à inovação, conectando empresas, academia e especialistas para discutir os principais desafios e tendências da indústria.
A 10ª edição da ABM Week teve a Gerdau como anfitriã e contou com o patrocínio das seguintes empresas: ArcelorMittal, DME Engenharia, Primetals, SMS group, Ternium, Usiminas, Vale, Bruker, Shinagawa, Acre, Aperam, Aplan, Carboox, Danieli, HWI – a member of Calderys, Ibar, Tecnosulfur, Reframax, RHI Magnesita, Vesuvius, Aldak Tenologia, Autron, AVB, Beda/Lechler, BRC, BRX Sistemas, Clariant, Contemp, Danfoss, EnergyTech, GE Vernova, GMI, Harsco, Jenike & Johanson, JK Global, Kaefer RIP, Kuttner, Lhoist, Maud Group, Nalco Water, NSK, Nouryon, Phoenix Global, Polytec, Ramon, Yantai Refra, Rimac, Russula, Tractian, Vika Controls, Wisdri, ABB, AçoKorte, Atomat, Belge, Camet, Cemi, CISDI, Cordstrap, DANTAN, Data Engenharia, Ducon, Densit/Densyx, Direxa, Durag, Eirich, Evcomx, Fluke, Fosbel, Furnace Solutions, Gervasi, Hastec, Heidenhain, Heraeus Electro-Nite, Herkules Group, IMS, Industrial Scientific, Instron, Intelbras, IRF South America, JT & Partners, KMD, Koppern, Lumar Metals, Malvern Panalytical, Rijeza, Ringspann, Sage, São Joaquim Laminação, SMS Mill Services, SNF, Solenis, Spraying Systems, Suncoke Energy, Terresis/Magna, Tmeic, Togni, TotalEnergies, Utis, Veolia, Vixteam, Waelzholz Brasmetal e Weir.






