Na ABM Week 10, keynote speaker apresenta inovações com aço ao nióbio que reinventam o setor automobilístico
Palestra durante o 61º Seminário de Laminação, Conformação e Produtos discutiu como o desenvolvimento contínuo de materiais avançados por parte da metalurgia tem ditado os rumos da indústria automotiva global
Fonte: Assessoria ABM
Os avanços na metalurgia contribuem não apenas para o próprio segmento, mas também para outros setores que fazem uso de metal e podem criar produtos inovadores com os resultados de pesquisas realizadas na área. Este foi o tema da fala de Jesse Wili Paegle Filho, gerente técnico de desenvolvimento de mercado que trabalha no departamento de negócios automotivos da CBMM Amsterdan, durante o palestra no 61º Seminário de Laminação, Conformação e Produtos, realizado na 10ª ABM Week.
Em sua apresentação no evento, Jesse afirmou que “a indústria automobilística fomenta o desenvolvimento de outros setores”. Em resumo, o especialista ressaltou como, ao demandar novos materiais, a produção de automóveis movimenta a pesquisa sobre metais e gera inovação nos campos da siderurgia, metalurgia e engenharia de materiais.
Aço de estampagem a quente e nióbio
Jesse, que trabalha na indústria de automóveis há 30 anos, detalhou em sua fala o modo como o aço de estampagem a quente ganhou espaço no mercado brasileiro e internacional.
O processo teve sua primeira aplicação automotiva comercial em 1984. Inicialmente, a motivação não foi o aumento da segurança, e, sim, a resolução de um problema de espaço (packaging) em barras de anti-intrusão nas portas de veículos europeus. Apenas com a popularização dos crash tests, no início da década de 90, o produto começou a ser usado como forma de garantir segurança ao veículo.
O gerente da CBMM explica as vantagens que o material oferece: “o aço de estampagem a quente é barato, protege bem o cockpit e está em constante evolução”. No entanto, o especialista informa que o material pode quebrar ou trincar em caso de impacto, uma vez que a alta resistência tira sua flexibilidade.
“No carro, precisamos absorver a energia em caso de batida e não transferir ela para o motorista”, resume Jesse. Como solução para esse problema, pesquisas no campo da metalurgia propuseram adicionar nióbio ao aço de estampagem a quente. Segundo Jesse, esse metal contribui para a ductilidade, que é a “a propriedade mais procurada hoje no setor automotivo”.
Ductilidade é a capacidade de que um material tem de se deformar permanentemente sob tensão sem se romper. O gerente da CBMM explica que o uso de nióbio em automóveis, além de reduzir o peso do carro, contribui para o aumento da segurança, ao permitir que o veículo absorva a energia sem que o metal quebre ou trinque.
Explicando o processo para usar o metal, ele resume: “após adicionar nióbio na liga metálica, realizamos o processo de estampagem a quente, na qual aquecemos o metal a 900º C, o cortamos na dimensão precisa, estampamos e o resfriamos rapidamente, para atingir as propriedades mecânicas que buscamos”.
Crescimento nacional
Jesse afirma que o mercado nacional acompanhou essa evolução de forma expressiva. De acordo com ele, em 2012, o Brasil importava aço estampado a quente usado na produção nacional de carros.
O cenário mudou quando a Volkswagen, que já fazia carros no Brasil, iniciou um plano para produzir o Up no país. No entanto, como o carro possuía 15% de suas peças feitas com aço de estampagem a quente, a empresa planejava importar esses itens do México.
Com esforço, o Brasil conseguiu avançar nesse setor e produzir os itens localmente, atendendo a demanda da Volkswagen. Hoje, o parque industrial brasileiro conta com mais de 10 linhas de estampagem a quente em operação, com capacidade para produzir dezenas de milhões de peças anualmente.
Sobre a 10ª ABM Week
Realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, a ABM Week é o principal evento técnico-científico e empresarial da América Latina voltado aos setores de metalurgia, materiais e mineração. A programação reúne congressos, seminários, simpósios, mesas-redondas, painéis, sessões técnicas e espaços dedicados à inovação, conectando empresas, academia e especialistas para discutir os principais desafios e tendências da indústria.
A 10ª edição da ABM Week teve a Gerdau como anfitriã e contou com o patrocínio das seguintes empresas: ArcelorMittal, DME Engenharia, Primetals, SMS group, Ternium, Usiminas, Vale, Bruker, Shinagawa, Acre, Aperam, Aplan, Carboox, Danieli, HWI – a member of Calderys, Ibar, Tecnosulfur, Reframax, RHI Magnesita, Vesuvius, Aldak Tenologia, Autron, AVB, Beda/Lechler, BRC, BRX Sistemas, Clariant, Contemp, Danfoss, EnergyTech, GE Vernova, GMI, Harsco, Jenike & Johanson, JK Global, Kaefer RIP, Kuttner, Lhoist, Maud Group, Nalco Water, NSK, Nouryon, Phoenix Global, Polytec, Ramon, Yantai Refra, Rimac, Russula, Tractian, Vika Controls, Wisdri, ABB, AçoKorte, Atomat, Belge, Camet, Cemi, CISDI, Cordstrap, DANTAN, Data Engenharia, Ducon, Densit/Densyx, Direxa, Durag, Eirich, Evcomx, Fluke, Fosbel, Furnace Solutions, Gervasi, Hastec, Heidenhain, Heraeus Electro-Nite, Herkules Group, IMS, Industrial Scientific, Instron, Intelbras, IRF South America, JT & Partners, KMD, Koppern, Lumar Metals, Malvern Panalytical, Rijeza, Ringspann, Sage, São Joaquim Laminação, SMS Mill Services, SNF, Solenis, Spraying Systems, Suncoke Energy, Terresis/Magna, Tmeic, Togni, TotalEnergies, Utis, Veolia, Vixteam, Waelzholz Brasmetal e Weir.






