Mesa-redonda da ABM Week 10 debate uso de dados e papel da decisão humana na gestão logística da siderurgia
Painel de Logística, Suprimentos e PCP da ABM Week 10 reuniu executivos da Gerdau, da Portocel, da Applica Tech e da Berthas
Fonte: Assessoria ABM
A mesa-redonda de Logística, Suprimentos e PCP da 10ª ABM Week discutiu o tema “Tecnologia e inovação na gestão logística: desafios e caminhos para a competitividade global” no segundo dia do evento, no Auditorium Vale Briquete de Minério de Ferro, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo.
A mesa teve moderação do professor Paulo Roberto Bertaglia, diretor executivo da consultoria Berthas e autor do livro "Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento".
Participaram das apresentações Valéria Becalli Provete, gerente de Estratégia, Gestão e Novos Negócios da Portocel, que tratou de modais de transporte e infraestrutura; Rafael Pirani, sócio-fundador da Applica Tech, com gestão de dados e analytics; Aline Spinardi Ferreira, diretora de Supply Chain da Gerdau, sobre supply chain e integração estratégica; e o próprio Bertaglia, com inteligência artificial aplicada à logística.
Inovação, criatividade e a necessidade de todas as frentes de uma cadeia logística funcionarem em conjunto marcaram o debate.
O custo da logística e a competitividade
O custo logístico brasileiro fechou 2025 em 15,5% do Produto Interno Bruto, uma leve queda ante os 15,6% de 2024, segundo estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). O transporte é o item de maior peso nesse custo, com 8,5% do PIB, seguido pela manutenção de estoques, com 5,3%. Em 2014, o indicador de transporte era de 10,4% do PIB, o que mostra uma trajetória de alta ao longo da última década, período em que o Brasil passou a transportar 25% mais carga sem ampliar a infraestrutura no mesmo ritmo.
A maturidade digital das cadeias de suprimento
Levantamento da Fundação Dom Cabral em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com 372 respostas de executivos de médias e grandes empresas brasileiras, mostra que tecnologias de base, como computação em nuvem, big data e sistemas de apoio à decisão, já são usadas de forma ampla nas cadeias de suprimento do país. Tecnologias mais avançadas, como gêmeos digitais, robótica inteligente e realidade aumentada, seguem pouco exploradas, com mais de 60% das empresas afirmando nunca as terem utilizado. Para os pesquisadores, a transformação digital avança de forma incremental, ainda distante de um modelo de cadeia de suprimentos totalmente integrado e preditivo.
Pesquisa da consultoria McKinsey mostra que apenas 13% das organizações brasileiras que digitalizaram parte de sua cadeia de suprimentos conseguem extrair todo o potencial dessas tecnologias, e que somente 24% obtêm o máximo impacto de ferramentas consideradas básicas, como sistemas de planejamento avançado e de gestão de transporte e de armazenagem.
Saber aproveitar e confiar nos dados
Rafael Pirani, sócio-fundador da Applica Tech, defendeu que a inovação depende de ter a quantidade certa de dados, nem de menos, nem de mais. “É como um carro de farol apagado e outro de luz alta. Não ter dados ou ter dados em excesso pode atrapalhar”, disse. Para reduzir esse risco, apontou três elementos que um processo de decisão precisa reunir: uma solução testada em escala real, recomendações que possam ser explicadas e uma pessoa claramente designada como responsável por decidir.
Para Pirani, ainda assim, dado certo e processo bem construído não bastam sozinhos. “Dados e recomendações não geram resultados, confiança e tecnologia geram segurança” , afirmou. Na leitura dele, a confiança das pessoas na tecnologia é o que falta para transformar um dado correto em decisão de fato tomada, e por isso precisa ser construída ao longo do processo, não tratada como um requisito prévio.
O ponto sobre a qualidade dos dados aparece também na Pesquisa de CPOs & CSCOs 2026, do Procurement Club, com 133 respostas de profissionais de Procurement e Supply Chain, 95% deles atuando na América Latina. O levantamento mostra que 47% das empresas ainda precisam corrigir falhas de processos e de estrutura de dados antes de avançar na aplicação de inteligência artificial em escala, e que 56% classificam como baixo o nível de integração entre inteligência artificial, sistemas e processos, o mesmo problema de base que a imagem do farol descreve: sem dado organizado, a tecnologia não tem o que interpretar direito.
A criatividade começa pelo indicador certo
Aline Spinardi Ferreira, diretora de Supply Chain da Gerdau, levou o debate para a etapa anterior à tecnologia. “Antes de utilizar a tecnologia por usar, quais são os principais indicadores que tenho?”, questionou, ao tratar dos fatores críticos de sucesso na adoção de qualquer ferramenta nova. Ela também levantou a pergunta de como integrar as pessoas na tomada de decisão junto com a tecnologia, em colaboração entre as diferentes frentes de uma empresa.
“Antes da adoção de uma tecnologia, a empresa precisa entender qual o problema real, a causa raiz, aplicando o método dos três porquês: porque eu preciso, o que está acontecendo, como posso resolver esse problema. A tecnologia, no final das contas, é uma das formas de resolução dos problemas que a gente encontra no dia a dia, mas tem várias outras formas de se resolver. Muitas vezes é a comunicação, muitas vezes é realmente não ter um processo claro que faz com que os problemas existam”, disse.
Em resposta à pergunta de Ferreira sobre a integração entre pessoas e tecnologia, Bertaglia devolveu a responsabilidade para quem decide: “no final das contas, a decisão vai ser tomada por você”.
Nenhuma frente compensa a falha de outra
Valéria Becalli Provete, gerente de Estratégia, Gestão e Novos Negócios da Portocel, fechou o raciocínio conectando as frentes discutidas ao longo do debate: dado, tecnologia, confiança e pessoas precisam funcionar juntos porque nenhuma parte da cadeia cobre sozinha a falha de outra. “Esse ponto não pode ser compensado negativamente pela falta de eficiência em outras cadeias”, afirmou, ao tratar da eficiência de ponta a ponta na logística.
Talento como resposta à automação
Em entrevista, Bertaglia comentou o horizonte de 2030. Para ele, a dúvida do setor é o que vai sobrar para profissionais e estudantes à medida que a automação e a inteligência artificial avançam sobre atividades repetitivas, como já ocorre com caminhões autônomos, que dispensam motoristas. “Nós precisamos estar preparados, o ser humano precisa estar preparado”, disse.
Segundo o professor, “inovação não significa só tecnologia, inovação vai além da tecnologia”, afirmou. Bertaglia citou a reforma tributária como outro fator que deve mudar o desenho da malha logística das empresas, o chamado network design, ao alterar incentivos hoje usados para reduzir custo, o que exige mais competitividade das companhias brasileiras. “A empresa precisa de talentos, eu gosto da palavra talento”, finalizou.
Sobre a 10ª ABM Week
Realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, a ABM Week é o principal evento técnico-científico e empresarial da América Latina voltado aos setores de metalurgia, materiais e mineração. A programação reúne congressos, seminários, simpósios, mesas-redondas, painéis, sessões técnicas e espaços dedicados à inovação, conectando empresas, academia e especialistas para discutir os principais desafios e tendências da indústria.
A 10ª edição da ABM Week teve a Gerdau como anfitriã e contou com o patrocínio das seguintes empresas: ArcelorMittal, DME Engenharia, Primetals, SMS group, Ternium, Usiminas, Vale, Bruker, Shinagawa, Acre, Aperam, Aplan, Carboox, Danieli, HWI – a member of Calderys, Ibar, Tecnosulfur, Reframax, RHI Magnesita, Vesuvius, Aldak Tenologia, Autron, AVB, Beda/Lechler, BRC, BRX Sistemas, Clariant, Contemp, Danfoss, EnergyTech, GE Vernova, GMI, Harsco, Jenike & Johanson, JK Global, Kaefer RIP, Kuttner, Lhoist, Maud Group, Nalco Water, NSK, Nouryon, Phoenix Global, Polytec, Ramon, Yantai Refra, Rimac, Russula, Tractian, Vika Controls, Wisdri, ABB, AçoKorte, Atomat, Belge, Camet, Cemi, CISDI, Cordstrap, DANTAN, Data Engenharia, Ducon, Densit/Densyx, Direxa, Durag, Eirich, Evcomx, Fluke, Fosbel, Furnace Solutions, Gervasi, Hastec, Heidenhain, Heraeus Electro-Nite, Herkules Group, IMS, Industrial Scientific, Instron, Intelbras, IRF South America, JT & Partners, KMD, Koppern, Lumar Metals, Malvern Panalytical, Rijeza, Ringspann, Sage, São Joaquim Laminação, SMS Mill Services, SNF, Solenis, Spraying Systems, Suncoke Energy, Terresis/Magna, Tmeic, Togni, TotalEnergies, Utis, Veolia, Vixteam, Waelzholz Brasmetal e Weir.






