Notícias

5 de Maio de 2026

Dia Mundial da Mineração: setor avança com inovação e apresenta resultados positivos no país

Atividade registra crescimento, amplia investimentos e aponta transformação digital e qualificação profissional como fatores decisivos para sustentar a competitividade nos próximos anos

Fonte: Assessoria ABM


A mineração brasileira iniciou o ano de 2026 com resultados expressivos, consolidando seu papel estratégico para a economia nacional, com o avanço no uso de tecnologias. No primeiro trimestre deste ano, o setor faturou R$ 77,9 bilhões, registrando crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). A data de 07 de maio é escolhida mundialmente para celebrar a importância da atividade para a economia global, para o desenvolvimento tecnológico e para o reconhecimento dos trabalhadores dessa área, com destaque para a importância da produção de minerais essenciais, que estão inseridos em boa parte da sociedade.

O minério de ferro segue como principal produto mineral do país, com faturamento de R$ 37,5 bilhões, seguido pelo ouro, que apresentou forte alta de 45%, alcançando R$ 13,5 bilhões, e pelo cobre, com crescimento de 28% e receita de R$ 10,3 bilhões. No mesmo período, as exportações minerais somaram US$ 11,4 bilhões, aumento de 21,5% em valor, com a China absorvendo 66% desse volume.

Além do desempenho financeiro, a atividade também reforça sua relevância para o setor de geração de empregos: em fevereiro, a mineração brasileira gerou 230 mil postos de trabalho diretos e arrecadou R$ 26,9 bilhões em tributos, avanço de 5,5% frente ao ano anterior. Para os próximos anos, a projeção é ainda maior: estão previstos US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, recorde histórico para o segmento, com destaque para a exploração de minerais críticos, que devem receber US$ 21,3 bilhões.


Avanços e produtividade

Neste cenário, inovação e transformação digital o passam a ocupar posição central na estratégia das mineradoras. Tecnologias como inteligência artificial, automação de processos, análise preditiva e integração de dados vêm transformando a produtividade, a segurança operacional e a sustentabilidade das operações.

Para Valdomiro Roman, diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), a mineração vive uma mudança estrutural que exige uma nova visão sobre competitividade. “A mineração deixou de ser vista apenas pela sua capacidade produtiva e passou a ser avaliada também pela sua inteligência operacional. Hoje, eficiência, segurança, sustentabilidade e inovação caminham juntas, e a transformação digital é um dos principais motores dessa transformação”, afirma.

Estudos recentes da Deloitte, especialista em auditoria, consultoria e gestão de riscos apontam justamente a inteligência artificial, a colaboração entre empresas e a preparação da força de trabalho como algumas das principais tendências globais para mineração em 2026. Paralelamente, iniciativas como a consulta pública da Agência Nacional de Mineração (ANM) para o novo Plano de Dados Abertos 2026-2028 reforçam o movimento de maior transparência e uso estratégico da informação no setor.

Segundo Roman, no entanto, a modernização tecnológica só será sustentável se vier acompanhada da formação adequada de profissionais capazes de operar essa nova mineração. “Não basta investir em tecnologia se não houver pessoas preparadas para liderar essa transformação. A formação de engenheiros e especialistas precisa acompanhar a velocidade das mudanças industriais. Esse é um dos grandes desafios do setor hoje”, destaca.

A demanda por profissionais qualificados, a necessidade de atualização técnica constante e a sucessão geracional já são temas recorrentes entre empresas e instituições do setor. Atrair jovens talentos para a engenharia mineral e preparar profissionais para um ambiente cada vez mais automatizado tornou-se uma prioridade estratégica.


Para a ABM, essa discussão também passa pelo fortalecimento da conexão entre indústria, universidades e centros de formação técnica, criando uma jornada mais alinhada às demandas do mercado. “Precisamos mostrar para os novos profissionais que a mineração de hoje é altamente tecnológica, estratégica e essencial para o futuro do país. Falar de mineração é falar de transição energética, infraestrutura, inovação e desenvolvimento industrial. Formar essa nova geração é garantir a competitividade do Brasil nas próximas décadas”, completa Valdomiro.


Cenário brasileiro

Em um momento em que minerais críticos ganham protagonismo global e a demanda por operações mais sustentáveis cresce em ritmo acelerado, o Brasil reúne vantagens competitivas importantes. Transformar esse potencial em liderança, porém, dependerá cada vez mais da capacidade de unir investimento, inovação e capital humano qualificado.

Diante dessas questões, a ABM reforça seu papel como articuladora técnica e institucional do setor, promovendo o desenvolvimento profissional, a disseminação de conhecimento e o debate sobre o futuro da mineração brasileira. Ao conectar especialistas, empresas e academia, a entidade contribui para preparar a indústria mineral para uma nova era de maior eficiência, sustentabilidade e protagonismo internacional.