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26 de Maio de 2026

Dia da Indústria: setor demanda mudanças para recuperar participação do PIB

Tecnologia, automação e liderança passam a caminhar juntas para aumentar produtividade, segurança e competitividade nos setores de base

Fonte: Assessoria ABM


Celebrado em 25 de maio, o Dia Nacional da Indústria foi criado em memória a Roberto Simonsen, falecido nessa data em 1948. Neste ano, o dia marca um momento inflexão para o setor. Considerando os dados do IBGE, em 2010, a indústria brasileira respondia por 27,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e fechou o último ano com 20,4%. Isso indica uma retração de aproximadamente sete pontos percentuais em quinze anos, o que poderia sugerir uma desindustrialização do país.

Depois de crescer 3,3% em 2024 acompanhando o ritmo de 3,4% da economia, o setor industrial registrou expansão de apenas 1,4% no ano seguinte, enquanto o PIB avançou 2,3%. A indústria de transformação — responsável pela conversão de matérias-primas em produtos intermediários ou finais — núcleo da geração de valor, emprego qualificado e tecnologia, apresentou retração de 0,2% no mesmo período, atingindo seu terceiro resultado negativo consecutivo na comparação trimestral.

Para o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, o diagnóstico pede atenção: “o Brasil enfrenta uma situação que coloca em xeque o futuro da nossa indústria. Não se trata de um movimento pontual, mas de uma perda de espaço estrutural que precisa ser enfrentada com seriedade”, afirma.


Aço como termômetro

A siderurgia é um dos setores onde a mudança se torna mais visível. No primeiro trimestre de 2026, a produção de aço bruto recuou 3,1%, enquanto as importações de produtos siderúrgicos cresceram 4,2% — com a Ásia respondendo por mais de 85% do volume importado. A taxa de penetração desses itens no mercado interno já supera 22%. No segmento de produtos planos — insumo crítico para a produção de automóveis, eletrodomésticos e construção — esse valor atinge aproximadamente 27%.

Ainda para o presidente, “o que está em curso não é uma competição, é uma invasão. Estamos diante de aço produzido com subsídios estatais, vendido abaixo do custo. Se o Brasil não reagir com mecanismos de defesa comercial à altura, o que veremos nos próximos anos é o esvaziamento de plantas industriais que levaram décadas para serem construídas, com impacto direto nos empregos qualificados e na soberania produtiva do país”, alerta Marco Polo.


Custo Brasil e a perda de competitividade

Além da concorrência externa, a indústria brasileira carrega um conjunto de entraves estruturais que encarecem a produção e reduzem a atratividade de investimentos. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o chamado “Custo Brasil” (diferença de custo de produção entre Brasil e o custo médio dos mesmos bens nos países da OCDE), representa cerca de R$ 1,7 trilhão por ano, valor que inclui a complexidade tributária, a infraestrutura logística deficiente e o alto custo de insumos básicos.

Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Horacidio Leal, o resultado pode não ser vantajoso: “quando o Brasil deixa de produzir e passa a importar manufaturados, está transferindo empregos, tecnologia e arrecadação para fora. Reindustrializar exige enfrentar esses custos e garantir condições mínimas de competição”, afirma. 


Reindustrialização exige políticas e defesa 

Para o setor, a retomada da indústria passa por medidas que enfrentam as duas frentes simultaneamente: redução dos custos estruturais internos e proteção efetiva contra a concorrência desleal no mercado doméstico. A combinação entre defesa comercial, modernização tributária, ampliação do crédito produtivo, investimentos em tecnologia e descarbonização é apontada como central para recuperar competitividade.

Leal resume o impasse: “não podemos ser, ao mesmo tempo, sobretaxados no nosso principal mercado de exportação e invadidos no mercado interno. Reindustrializar o país depende de um ambiente de negócios que permita competir em condições mínimas de igualdade”, aponta.

Programas como o Nova Indústria Brasil tentam articular financiamento, inovação e aproveitamento de ativos como a matriz elétrica limpa e o gás natural oriundo do pré-sal. Para o setor, porém, a velocidade e a escala de resposta ainda precisam crescer para fazer frente à dimensão do desafio.

Com mais de 80 anos de atuação, a ABM sempre esteve comprometida com o desenvolvimento de pesquisas e de conhecimento como maneiras de impulsionar o setor industrial, reunindo a academia, pesquisadores, profissionais e grandes players do mercado em um espaço de debate e estímulo à competitividade.  A associação realiza anualmente o maior evento técnico-científico e empresarial de metalurgia, materiais e mineração da América Latina, a ABM Week.