Arqueometalurgia da Fábrica de Ferro de Ipanema é tema da Sessão Especial do 55º Seminário de Aciaria
Programação da ABM Week 10 reuniu a mensagem da empresa Danieli, homenagens a profissionais do setor e a apresentação do professor Fernando Landgraf
Fonte: Assessoria ABM
A Sessão Especial do 55º Seminário de Aciaria, Fundição e Metalurgia de Não-Ferrosos foi realizada no Auditorium Vale Briquete de Minério de Ferro, durante a 10ª ABM Week, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo. A programação reuniu a mensagem da empresa anfitriã, homenagens a profissionais da área e a palestra “Arqueometalurgia da aciaria da Fábrica de Ferro de Ipanema em 1880”, apresentado por Fernando José Gomes Landgraf, professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
A sessão teve coordenação de José Flavio Viana, coordenador da Comissão Técnica de Fusão, Refino e Solidificação da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), e de Magno Levi Araújo Mendes, gerente de Novos Negócios da Alkegen. A abertura ficou com Viana e com Horacidio Leal Barbosa Filho, presidente executivo da ABM.
Mensagem da anfitriã
Ruy Alvarenga, gerente comercial da Danieli, apresentou a mensagem da empresa anfitriã da sessão e concentrou a fala em resultados de aciaria elétrica. Segundo a apresentação, o Digimelter, unidade de fusão patenteada pela companhia, otimizou o processamento de sucata e reduz as emissões de dióxido de carbono, operando com sucata, ferro reduzido ou uma combinação de cargas metálicas.
A apresentação também tratou do papel da tecnologia no controle de qualidade da produção e apontou o jumbo casting como um dos processos mais importantes da produção.
Homenagens
A sessão entregou homenagem a Breno Totti Maia, diretor técnico da Lumar Metals, e prestou homenagens in memoriam a Douglas Gregório, Lauro José de Sales Chevrand e Silvio Antônio Petto Nunes Abreu.
A produção de aço no século 19
Landgraf abriu a palestra com um panorama da produção de aço no século 19, apoiado em um gráfico de produção entre 1790 e 1910. De acordo com a apresentação, até 1850 a produção de aço era mínima e restrita a duas rotas, a cementação e o forno de cadinho. A pudlagem produzia ferro de baixo carbono. Os processos Bessemer e Siemens-Martin foram os que permitiram produzir aço direto do ferro-gusa.
Na apresentação, o professor mostrou uma caixa de objetos da Fábrica de Ferro de Ipanema e tratou das amostras analisadas pela pesquisa, sobre as quais afirmou que o material era heterogêneo. Ao falar da documentação do século 19, registrou um limite do trabalho e a abertura para um possível aprofundamento: “não consegui descobrir o que era rustina”. A palestra foi encerrada com Pandiá Calógeras e o fechamento da fábrica.
A pesquisa por trás da apresentação
A Fábrica de Ferro de São João de Ipanema, em Iperó, operou entre 1810 e 1895 e foi dirigida pelo coronel Joaquim de Souza Mursa, entre 1865 e 1890, período em que os altos-fornos tiveram o perfil interno reformado e a produção diária de ferro-gusa dobrou. Em 1878, Mursa trouxe operários austríacos e introduziu na fábrica o refino estiriano. Coleções de objetos produzidos na fábrica eram distribuídas por ele como forma de garantir suporte econômico ao empreendimento, e hoje estão nos acervos do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e do Museu Republicano de Itu.
A reconstrução do processo, publicada por Landgraf e Paulo Eduardo Martins Araujo na revista Khronos, da USP, cruza a descrição escrita pelo engenheiro Leandro Dupré, em 1884, com a análise da microestrutura de barras de ferro do acervo. Segundo o artigo, os teores de titânio e vanádio presentes nas inclusões de escória funcionam como assinatura química do minério do morro de Araçoiaba, usado pela fábrica.
A produção de Ipanema foi interrompida em 1890 e a fábrica foi fechada por decisão do Senado, em 1895, depois de uma série de artigos de Pandiá Calógeras sustentando que o empreendimento era inviável por causa das impropriedades do minério.
Sobre a 10ª ABM Week
Realizada entre os dias 8 e 10 de setembro, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, a ABM Week é o principal evento técnico-científico e empresarial da América Latina voltado aos setores de metalurgia, materiais e mineração. A programação reúne congressos, seminários, simpósios, mesas-redondas, painéis, sessões técnicas e espaços dedicados à inovação, conectando empresas, academia e especialistas para discutir os principais desafios e tendências da indústria.
A 10ª edição da ABM Week teve a Gerdau como anfitriã e conta com o patrocínio das seguintes empresas: ArcelorMittal, DME Engenharia, Primetals, SMS group, Ternium, Usiminas, Vale, Bruker, Shinagawa, Acre, Aperam, Aplan, Carboox, Danieli, HWI – a member of Calderys, Ibar, Tecnosulfur, Reframax, RHI Magnesita, Vesuvius, Aldak Tenologia, Autron, AVB, Beda/Lechler, BRC, BRX Sistemas, Clariant, Contemp, Danfoss, EnergyTech, GE Vernova, GMI, Harsco, Jenike & Johanson, JK Global, Kaefer RIP, Kuttner, Lhoist, Maud Group, Nalco Water, NSK, Nouryon, Phoenix Global, Polytec, Ramon, Yantai Refra, Rimac, Russula, Tractian, Vika Controls, Wisdri, ABB, AçoKorte, Atomat, Belge, Camet, Cemi, CISDI, Cordstrap, DANTAN, Data Engenharia, Ducon, Densit/Densyx, Direxa, Durag, Eirich, Evcomx, Fluke, Fosbel, Furnace Solutions, Gervasi, Hastec, Heidenhain, Heraeus Electro-Nite, Herkules Group, IMS, Industrial Scientific, Instron, Intelbras, IRF South America, JT & Partners, KMD, Koppern, Lumar Metals, Malvern Panalytical, Rijeza, Ringspann, Sage, São Joaquim Laminação, SMS Mill Services, SNF, Solenis, Spraying Systems, Suncoke Energy, Terresis/Magna, Tmeic, Togni, TotalEnergies, Utis, Veolia, Vixteam, Waelzholz Brasmetal e Weir.






