Engenharia ainda enfrenta baixa representação no debate digital, aponta ABM
Mesmo com forte presença na economia e no desenvolvimento do país, área segue pouco explorada por comunicadores científicos nas redes sociais
Fonte: Assessoria ABM
Temas ligados à ciência e à tecnologia ganharam protagonismo nas redes sociais nos últimos anos, impulsionados por divulgadores científicos que traduzem assuntos complexos para o grande público. No entanto, quando o foco se volta às a algumas áreas da engenharia ligadas à base industrial — como metalurgia, materiais, mineração e energia —, a presença digital ainda é limitada e fragmentada. Essa constatação orienta a análise da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) sobre como estes setores vêm sendo percebidos e discutidos no ambiente online.
Levantamentos recentes em plataformas como Google Trends indicam que assuntos técnicos relacionados à indústria ganham relevância apenas quando associados a grandes eventos globais, como a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Fora desses picos, o setor industrial raramente ocupa espaço central no debate público digital, diferentemente de áreas como astronomia, biologia e tecnologia da informação.
Buscas apontam para um terreno subaproveitado
Para aprofundar a observação de cenário, a área de Comunicação da ABM buscou mapear conteúdos e perfis que abordam engenharia em redes sociais como TikTok, Instagram e Facebook. Foram monitoradas hashtags como “#joblife” e “#engineeringjob” — conteúdos que podem se tornar virais em 2026, conforme informa um relatório da rede social de vídeos curtos —, além de páginas e perfis especializados em divulgação técnica e científica.
Segundo o Diretor de Operações da ABM, Valdomiro Roman, existe uma lacuna de comunicação que representa um desafio estratégico para o setor. “A engenharia está presente em praticamente tudo que sustenta a vida moderna, mas muitas vezes não aparece de forma clara ou atrativa no ambiente digital. Isso impacta diretamente a percepção da sociedade sobre a importância da indústria e sobre as oportunidades profissionais que ela oferece, refletindo também no baixo interesse dos jovens por essa carreira”, afirma.
Roman destaca que o desafio não está apenas na complexidade do conteúdo, mas na forma como ele é apresentado. “O sucesso de formatos de divulgação científica em outras áreas mostra que existe espaço para temas técnicos, desde que sejam traduzidos em narrativas acessíveis, conectadas com o cotidiano das pessoas. A engenharia precisa ocupar esse espaço com mais protagonismo”, completa.
Seguindo o caminho da digitalização, que se mostra indispensável, a ABM não só tornou disponível seu acervo de pesquisas e trabalhos apresentados em seus congressos por meio da plataforma ABM Proceedings. Mas também adotou novos recursos para aumentar sua presença na internet: com a recente reforma das instalações de sua sede, criou uma sala própria e equipada para gravações e podcasts, que já começou a ser usada para a produção de conteúdos. Na mesma reforma, criou e ampliou salas e ambientes para teletrabalho, videoconferências e videoaulas. Os conteúdos produzidos são divulgados no canal ABM TV, no YouTube. Nos últimos anos, a instituição fortaleceu ainda seus canais de comunicação online, sobretudo com associados, por meio das redes sociais, boletins, comunicados e outros contatos.
Outras ações afirmativas são realizadas com direcionamento para o público de estudantes; algumas de forma permanente, como as exposições realizadas na Casa de Metal, instituição cultural dedicada a artes, mostras e atividades sobre o universo dos metais, que funciona na sede da ABM e recebe turmas escolares ao longo do ano todo. Já na ABM Week, principal evento da Associação, também são oferecidos descontos, isenções e custeios (em parceria com empresas associadas) para aumentar a presença de jovens, sobretudo, em eventos como o Enemet (exclusivo para estudantes), apresentações de trabalhos, área de laboratórios de pesquisa e espaço de exposições.
Perfis e canais na internet
Em seu mapeamento recente, a ABM destaca entre os canais pesquisados e que podem ser encontrados facilmente nas redes sociais:
1. Engenharia Nerd (@engenharianerd)
2. Engenharia Cantada (@engenhariacantada)
3. Engenheiro Curioso (@engenheiro.curioso_)
4. Engenheiro Metalurgista - Dr. Cleber Lessa (@drcleberlessa)
1. Engenharia E
Tiktok
No Tiktok não foram encontrados perfis específicos, porém, já existem profissionais da Engenharia Civil que apresentam suas rotinas em obras através das tags citadas anteriormente.
O cenário digital também reflete mudanças no perfil das novas gerações de estudantes e profissionais, cada vez mais influenciadas por conteúdos consumidos em redes sociais. Para a ABM, ampliar a presença qualificada da engenharia nesses canais é fundamental não apenas para atrair talentos, mas também para fortalecer a compreensão pública sobre temas como atividades responsáveis, transição energética, sustentabilidade, inovação industrial e desenvolvimento tecnológico.
Questionada sobre o posicionamento da ABM nas redes sociais, a Head de Comunicação da Agência Gotcha!, Margareth Furtado, responsável pelo conteúdo da associação, afirmou utilizar como estratégia a expansão de conhecimento como forma de interagir com o meio virtual. “Nossas redes sociais são consideradas canais estratégicos para ampliar a presença digital e dialogar com um público mais jovem. Neste ano, nossa prioridade é investir em formatos de vídeo com conteúdos humanizados, capazes de comunicar com clareza o valor técnico, científico e social do campo das engenharias ligadas à base industrial", afirmou Furtado.
Atualmente, as redes sociais apontam um crescimento virtual da ABM, com o Instagram atingindo a marca de 7 mil seguidores, enquanto o Linkedin possui um total de mais de 31 mil seguidores.
Novas iniciativas digitais da ABM
Nesse horizonte, a associação reforça ainda mais seu papel de fomentar o diálogo entre indústria, academia e sociedade, estimulando a produção e a circulação de conteúdo técnico-científico de forma acessível e confiável, também no digital. “A engenharia brasileira tem histórias, soluções e impactos reais que precisam ser contados. Tornar esse conhecimento mais visível é uma tarefa coletiva, que envolve instituições, empresas, pesquisadores e comunicadores”, ressalta Roman.
Como forma de projetar ainda mais a divulgação de conhecimentos técnicos e científicos entre públicos de todas as idades (incluindo entre eles os mais jovens), a ABM tomou a iniciativa de planejar minicursos para lançar em seu canal do Youtube. Os materiais serão distribuídos em forma de workshops online, com inscrição e acompanhamento no site da ABM. Os vídeos estão sendo gravados pelo professor Willy Ank, coordenador dos cursos de pós-graduação lato sensu em Engenharia da Confiabilidade na UniSanta, colaborador da ABM e coordenador do Enemet. “Traduzir conceitos técnicos para uma linguagem acessível é fundamental para aproximar a engenharia das pessoas. Iniciativas como essa, em parceria com a ABM, ajudam a mostrar como a engenharia impacta diretamente a segurança, a sustentabilidade e a qualidade de vida de toda a sociedade”, afirma. Os primeiros vídeos devem ir ao ar em março, abordando o processo siderúrgico.
Ao trazer essa reflexão para o debate público, a ABM busca contribuir para que a engenharia industrial conquiste maior visibilidade no ambiente digital, alinhando conhecimento técnico, linguagem acessível e relevância social — elementos essenciais para o futuro do setor e do país.
E como convite para estimular mais olhares para esse universo, a Associação ressalta a publicação de uma rica animação em seu canal do YouTube e em suas redes sociais, apresentada anteriormente em evento comemorativo aos seus 80 anos, que traduz toda a história da ABM de forma acessível, simples e convidativa: ABM 80 anos - Conheça nossa história.
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