ABM - Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração

4ª Revolução industrial chega à indústria de metalurgia e materiais, apesar dos entraves

Muitas das novas tecnologias associadas à 4ª Revolução Industrial, como computação em nuvem, Internet das Coisas, análise de Big Data e Impressão 3D, já têm sido utilizadas na indústria minerometalúrgica e de materiais, contribuindo para otimizar processos e reduzir custos.

Mas o setor só terá condições de dar um salto qualitativo se resolver pendências na assimilação de tecnologias e sistemas desenvolvidos nas revoluções industriais anteriores, na opinião de Henrique Ceotto, sócio da McKinsey e um dos palestrantes da plenária sobre o tema realizada em 4 de outubro, dentro da programação da ABM WEEK 2017.

“Minha provocação é que nosso setor ainda está entre a 2ª e a 3ª revoluções industriais, uma vez que, em grande parte, não conseguimos implementar totalmente conceitos como automação e lean manufacturing. Não capturaremos totalmente o valor da 4ª revolução industrial sem equacionar esse descompasso”, afirmou.

De acordo com Ceotto, o passo inicial é identificar os principais problemas operacionais ou estruturais a serem resolvidos, determinados a partir da definição dos objetivos a serem alcançados pela empresa. A partir daí, será possível conhecer e implementar soluções inovadoras.

Mudanças organizacionais profundas podem ser fundamentais no processo. Segundo ele, é comum que as organizações e as pessoas tenham foco nas soluções digitais e nos dispositivos que deveriam adotar, mas o maior desafio é desenvolver estratégias eficientes para que as equipes de trabalho e os sistemas de gestão estejam em sintonia com as novas tecnologias.

As novas funções que a indústria precisará adotar incluem figuras como o engenheiro ou cientista de dados – profissional responsável por operar modelagem avançada de dados, de forma a extrair insights, e por administrar as interfaces de grandes quantidades de dados –, o proprietário de produto – que atua como a voz do usuário final na organização, testando e revisando cada aspecto do produto – e o navegador ou tradutor digital, que detém conhecimento íntimo da realidade manufatureira e faz a ponte com as tecnologias digitais.

Provedores

Há uma grande diversidade de empresas de tecnologia e de consultoria oferecendo soluções digitais. Os participantes da plenária ressaltaram, contudo, que antes de contratar possíveis consultores, é preciso conhecer a fundo as próprias necessidades, que passam pelos níveis operacionais e de gestão.

A Primetals Technologies é uma das empresas que auxiliam indústrias do setor a otimizar suas atividades por meio de novas tecnologias e sistemas. Segundo Kurt Herzog, diretor de Industria 4.0 da empresa, uma das bases da integração digital nas organizações é o conceito de smart work. “Os sistemas ficam cada vez mais complexos, mas não quer dizer que as pessoas fiquem mais inteligentes. Então temos que, de alguma forma, apoiar as pessoas e fornecer para elas informações adequadas. É isso que queremos dizer quando falamos em smart work”, explicou.

Os dados são gerados por sensores e dispositivos instalados em toda área operacional. Sua análise integrada é administrada em um Cyberphysical System, que une a planta real com seu gêmeo digital. A solução é capaz de detectar e remover problemas de qualidade por meio de simulações.

A gestão integrada de todas as interfaces é garantida pelo que a Primetals conceitua como Digital Unity, que combina o sistema de gerenciamento da produção com outras duas tecnologias: Through-Process Optimization, monitoramento de qualidade por meio do registro, análise e supervisão contínua de parâmetros, e Maintenance Asset Technology, sistema que gera dados para cada ativo em tempo real, permitindo manutenção preventiva e fazendo sugestões automáticas de pedidos.

Ferramentas digitais já têm gerado resultados. Conforme apontou Georg Gradl, vice-presidente e diretor global de mineração e metais da SAP da Alemanha, 65% das empresas da área já usam Internet das Coisas. Até 2020, segundo ele, todas as mineradoras importantes já terão implementado uma estrutura digital integrada unindo operações e gestão. Entre os exemplos que ele relatou está o de um fabricante de automóveis alemão que usou tecnologia de reconhecimento de imagem para analisar falhas em peças metálicas. “A detecção precoce gera economia de tempo e dinheiro, já que a peça individual com defeito não avança no processo de produção e pode-se ajustar as máquinas de acordo com os parâmetros definidos”, afirmou.

No Brasil

Entre as iniciativas brasileiras discutidas no painel, teve destaque a experiência da ArcelorMittal relatada por Flávio Almeida, gerente geral de TI e Automação de Processo na empresa. Um comitê digital foi constituído com profissionais de diferentes áreas para coordenar a estratégia de longo prazo da companhia. O plano digital que será concluído até o fim de 2017 já conta com 94 iniciativas.

“Com relação à Internet das Coisas, por exemplo, aplicamos visão computacional à nossa unidade KR, de tratamento de gusa”, indica. O processo de escumagem do gusa é monitorado digitalmente, de forma que não haja insuficiências nem exageros no processo.

Os 72 km de linhas férreas dentro do site da companhia, vencidos diariamente por várias locomotivas, agora são inspecionados por dispositivos embarcados, que captam informações para manutenção preventiva.

A ArcelorMittal também adotou impressoras 3D para produzir modelos das peças da fundição, até então produzidos em madeira. “Agora avaliamos a possibilidade de gerar peças metálicas, o que nos possibilitaria reduzir inventário de peças de baixa rotatividade e alto custo”, explicou.

Patrocínio

A ABM WEEK 2017 conta com o patrocínio das seguintes empresas: Açokorte, Anglo American, Aperam, ArcelorMittal, Ardokum, Atomat, Beda, BNDES, BRC, CBMM, CISDI, Clariant, Danieli do Brasil, DDMX, Eisenwerk Sulzau, ESW, Fosbel, Gerdau, Hamon, iba, Ibar, Imerys, IMS GmbH, Kelk/PML, Kuttner, Lechler, Magnesita, MRS, NSK,  PML Petersen Matex, Primetals, PSI Metals, Pyrotek, Reframax, RHI, RIP, Russula, Saint-Gobain,Scantec, SESI, Scantech, SMS Group / Paul Wurth, Spraying Systems, SunCoke, Tecnosulfur, Ternium, Timken do Brasil, Tora, Unifrax, Usiminas, Vale, Vamtec, Veolia, Vesuvius, Villares Metals, Viridis e White Martins.

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