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Controle de qualidade de concentrados de cobre e de níquel passa a ter certificação internacional para análise de cloro

O cloro é um contaminante que penaliza o faturamento do concentrado no mercado internacional das commodities e ainda não dispunha de um método analítico confiável para a determinação do seu teor.

Um grande desafio acaba de ser alcançado para o Controle de Qualidade de Concentrados de Cobre e de Níquel: trata-se do método de análise para cloro total, desenvolvido pelo Comitê Técnico ISO/TC 183 (Copper, lead, zinc and nickel sulfide ore and concentrates). A liderança do desenvolvimento do trabalho foi do Brasil, sob a responsabilidade da química Suzilei Silva, do Centro de Desenvolvimento Mineral da Vale.

A importância desta conquista recai no fato do elemento cloro ser um contaminante que penaliza o faturamento do concentrado no mercado internacional das commodities e que ainda não dispunha de um método analítico confiável para a determinação do teor do cloro. Isso gerava muitas disputas entre vendedores e compradores, com constante acionamento de laboratórios de arbitragem (umpire).

“Após mais de cinco anos de trabalho envolvendo especialistas da Alemanha, Austrália, Brasil, Chile, China, Finlândia e Japão, foi um grande desafio desenvolver a norma de determinação de cloro em minérios e concentrados de cobre e níquel sulfetado, frente ao uso de metodologias variadas na interface comercial e indisponibilidade de Materiais de Referência Certificados (MRC) e metodologia de referência para validar a exatidão do novo método”, diz Suzilei Silva, membro da Delegação Brasileira na reunião do ISO/TC183.

Além disto, destaca Suzilei, “a finalização dos trabalhos de normalização é dificultada pela priorização de outras atividades, tornando o cronograma de desenvolvimento da norma longo e pouco administrável. A participação e contribuição de especialistas de outros países com um tempo de resposta grande é sempre um desafio a mais. Apesar disso, o trabalho em equipe eficiente é o grande responsável pela finalização do trabalho com sucesso.”

Já para o Engenheiro Especialista de Metais Básicos, responsável pela assistência técnica à Comercial da Diretoria de Metais Básicos da Vale, Eugênio Oliveira, a aprovação e publicação da norma ISO 15661 – Determinação do teor de cloro total para concentrados e de cobre e níquel – é muito importante para a Vale, especialmente para a área de produção de cobre.  “No Brasil, a Vale produz cerca de 850 mil toneladas de concentrado de cobre por ano, sendo que a cada lote de 100 toneladas do produto há troca de análises de cloro com os clientes. Por constituir uma importante impureza no processo de produção de cobre metálico por via pirometalúrgica, o cloro está sujeito ao pagamento de altos valores de penalidades para níveis acima de 500 ppm na comercialização do concentrado (cerca de US$ 0,5/tbs para cada 100 ppm acima de 500 ppm)”.

Eugênio afirma ainda que como não havia uma padronização da metodologia analítica do elemento para concentrados de cobre, a dispersão dos resultados entre os clientes e a Vale era muito significativa e não tinha uma referência se os métodos analíticos praticados pelos laboratórios árbitros (umpire) eram confiáveis. “O pagamento de penalidades devido aos níveis de cloro dos concentrados de cobre produzidos pela Vale constitui uma relevante perda de receita na comercialização dos produtos. Com o desenvolvimento e aprovação da norma ISO 15661, teremos um método analítico de referência que deverá ser adotado pelos laboratórios químicos dos clientes e pelos laboratórios árbitros, o que dará maior confiabilidade nas trocas de análises praticadas pela indústria do cobre. A menor dispersão dos resultados analíticos de cloro nas trocas de análises proporcionará uma melhor relação com os clientes fortalecendo nossos vínculos comerciais”, diz Eugênio.

Responsável pelo Centro de Desenvolvimento Mineral da Vale, Patrice Mazzoni acredita que este é um resultado muito relevante, que irá trazer muito mais segurança para a comercialização de concentrados de cobre, em especial para aqueles que possuem o cloro como contaminante. “A Norma publicada apresenta desempenho compatível ao método de Ativação Neutrônica e passa a ser a referência formal para uso na interface comercial. Sua publicação vem coroar um trabalho consistente e de alto nível técnico, com participação dos melhores especialistas de diversos países. A partir de agora, ela poderá ser incorporada em contratos de venda, permitindo uma melhor padronização, acurácia e um melhor relacionamento com os clientes”.

“Os especialistas da ABNT/CEE-081 (Comissão de Estudo Especial de Minérios, Concentrados e Produtos Primários de Cobre e Níquel da ABNT), juntamente ao Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que ancora o Comitê para a Normalização Internacional em Mineração, sentem-se orgulhosos com mais um resultado alcançado no âmbito da normalização internacional”, afirma a coordenadora do Ibram e do comitê, Rejane Carvalho.

Acesse uma prévia da norma ISO 15661: Copper and nickel sulfide ores and concentrates — Determination of total chlorine content — Alkaline fusion and potentiometric titration method pelo do link:

https://www.iso.org/obp/ui/#iso:std:iso:15661:ed-1:v1:en

 

Fonte: Portal da Mineração 

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