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    Alô alô marciano, aqui quem fala é da Terra
    Paulo Antônio de Souza Júnior

    Imagem NASA
    Uma missão a Marte, como a Mars Exploration Rover da NASA, da qual participo, tem critérios objetivos que determinam se ela pode ser ou não declarada bem sucedida. Um destes critérios estabelecidos pela NASA requer que tenhamos não mais do que uma falha em três tentativas de contactar os robôs na superfície de Marte. Estabelecer contato com pequenos robôs em outro planeta requer a melhor tecnologia já criada pelo homem. Um estrutura e organização sem comparação com qualquer outra missão já lançada pelo homem ao espaço.

    Temos duas maneiras de contactar os robôs em Marte.

    A primeira é utilizar dois satélites em Marte (Odyssey -foto- e Mars Global Surveyor), que se comunicam com o robô em UHF. Cada um destes satélites pode receber informações até duas vezes por dia. Estes dados serão recebidos pelos satélites no momento que passarem no céu de Marte acima dos robôs e, depois, quando possível, transmitirão os mesmos dados para a Terra.

    Aqui, na Terra, uma rede chamada Deep-Space Network (Rede do Espaço Profundo), com gigantescas antenas distribuídas pela Austrália, Espanha e Estados Unidos devem captar estes sinais. Com estas antenas distribuídas pela Terra, teremos sempre alguma delas voltada para Marte pronta para receber alguma informação no horário programado pelos técnicos da missão. Somente depois, os dados chegarão ao Laboratório de Jatopropulsão da NASA onde estaremos trabalhando.

    Como trabalharemos diariamente com os robôs precisamos transmitir os dados e recebê-los o mais rápido possível. A sincronia entre robô e satélite em Marte e destes satélites com a Terra pode levar horas. Alguma alternativa para os dados mais urgentes da missão deve estar disponível.

    Daí a segunda maneira de contatar o robô, que pode usar sua anteninha parabólica e mandar suas mensagens direto para a Terra. Este envio de sinal gasta muita energia, é menos seguro que o canal UHF dos satélites, mas é mais rápido porque não precisa esperar que o satélite veja o robô e, depois, a Terra. Ainda que viajando à velocidade da luz (quase 300 mil quilômetros por segundo) o nosso "alô" demora 12 minutos para chegar a Marte...

    São estes desafios tecnológicos que impulsionam as aplicações de comunicação para a sociedade. Graças a desafios como este se desenvolveu a tecnologia para que você assista, ao vivo, à Olimpíada no outro lado do mundo. E você recebe um telefonema de um amigo ao celular, se localiza por satélites, planeja o final de semana com a previsão do tempo, acompanha o migração das baleias Jubarte...

 
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.


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