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    O homem em Marte não é uma necessidade
    Paulo Antônio de Souza Júnior

    Imagem NASA Nao sou favorável à idéia de enviarmos uma nave tripulada a Marte. Especialmente se esta missão for associada a um cronograma com tanto trabalho por fazer. As missões tripuladas podem custar cem vezes mais que uma missao robotizada. Os satélites, as naves de pouso e os robôs podem trazer informações suficientes para o entendimento de Marte e custam muito, muito menos. A Nasa gastou mais de 800 milhões de dólares com a Mars Exploration Rover. Esta missão é muito barata se comparada a qualquer outra investida tecnológica deste porte. Apenas a missão tripulada para Marte, sem se considerar os investimentos no desenvolvimento de tecnologia que surgem prontas no momento da integração do sistema, estima-se, custaria 80 bilhões de dólares! Não há justificativa para tanto investimento com os problemas sociais que presenciamos em qualquer país deste Planeta.

    Discute-se hoje no meio científico, e certamente político também na Europa e nos Estados Unidos, a importância de uma missão que nos traga amostras do solo e de rochas marcianas. Estes pedacinhos da superfície de Marte poderiam ser melhor investigados com instrumentos que não podem ser miniaturizados ou consomem muita energia para executar suas medidas.

    Por exemplo, o estudo de possíveis fósseis de vida miscroscópica como bactérias só pode hoje ser feito com sofisticados microscópios dos nossos laboratórios. A miniaturização de um microscópio eletrônico pode ser inviável considerando o tempo e recursos que dispomos nos projetos espaciais ou nos próprios robôs que construímos.

    É inevitável que vejamos o homem andando em Marte ainda neste século. É provável que andaremos em outro planeta num esfoço americano compartilhado por vários países como os da Europa, incluindo a Rússia, talvez asiáticos como a China e a Índia, e do novo continente como Canadá e Brasil. É importante participarmos deste desafio com parcimônia, com uma posição ativa no programa (em recursos financeiros e humanos) e com a preocupação de aplicarmos a tecnologia desenvolvida em nossos problemas.

    Por exemplo, o desenvolvimento de técnicas de agricultura para Marte ou Lua podem trazer soluções inovadoras e definitivas para o plantio no agreste nordestino. Os processos de purificação de água em missões espaciais podem ser úteis para a estrutura de serviço em Saúde Pública. As técnicas gerenciais utilizadas em missões espaciais ajudariam muito as nossas instituições públicas e privadas. E não menos importante, teríamos a motivação de uma nova geração de pesquisadores: com a cabeça no espaço e os pés e mãos no chão.


 
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.


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