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    Água em Marte já é mais que uma hipótese
    Paulo Antônio de Souza Júnior

    Imagem NASA O exame feito pelo espectrômetro Moessbauer do Opportunity revela a presenca de jarosita, um sulfato formado à presença abundante de água líquida. O par de picos amarelos indica especificamente uma fase da jarosita, que contem a água como uma parte de sua estrutura. As outras fases também são identificadas: uma magnética (azul); uma de silicato (verde), indicativa dos minerais que contêm (Fe 2+); e a dos minerais com Fe 3+ (em vermelho).

    O seu filho chega da aula mais tarde que o usual. O sapato e a camisa sujos. Suado e preocupado em tomar logo um banho. O que você pode concluir que tenha ocorrido com o seu filho com estas evidências? Você pode supor que ele tenha, por exemplo, encontrado alguns amigos e jogado futebol. Ou ainda que ele tenha se metido em alguma encrenca, corrido de cachorros na rua, brigado talvez... Você certamente irá perguntar-lhe e confirmar a sua suposição.

    Nós, cientistas de uma missão espacial como a Mars Exploration Rover também elaboramos suposiçoes, que chamamos hipóteses, sobre o que teria acontecido com o planeta Marte no passado. As evidências que anunciamos dia 3 de março de 2004 (www.jpl.nasa.gov, após 38 dias de operações com o Opportunity e dois meses com o Spirit) sobre o que registramos com o rover Opportunity nos apontam para uma hipótese firme da presença de água em Marte.

    Imagem NASA As evidências comecam com as pequenas esferas por todos os lados no local de pouso (na microfotografia ao lado, feita pela Opportunity, na rocha El capitan's, particulas esféricas encontradas também no interior do material). Entre as possibilidades da sua formação temos a presenca de água com material vulcânico; a forma lamenar, como num as folhas de um caderno, das rochas no local de pouso, e a concentração mais elevada de enxofre já vista em Marte.

    Nenhuma das amostras análisadas em Marte até hoje, seja pelas naves Vikings ou Sojouner, viram tanto enxofre em solos ou rochas marcianos. Vulcanismo apenas não pode explicar tamanha quantidade deste elemento.

    Por fim, detectamos a presença de jarosita, um sulfato formado com abundante de água líquida. Pela quantidade de sulfatos podemos assumir que tivemos bastante água lá. Não sabemos ainda por quanto tempo tivemos água fomando lagos, oceanos ou percolando os solo em Marte. Não temos evidências firmes ainda que nos assegure estabelecer uma boa hipótese também se tivemos água suficiente e por tempo suficiente para sustentar a vida. Lembro que a água é essencial para a existência de vida.

    Assim, com estas evidências, lemos o passado geológico de Marte. Com estes resultados, vamos orientando o futuro da exploração do Sistema Solar e entendendo melhor a origem da vida na Terra. Assim, como você observa o seu filho chegando de uma partida de futebol.


 
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.


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