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O clima de Marte é um alerta para estudarmos
Paulo Antônio de Souza Júnior
O vale da foto pode ter sido um conduto de água flúida, mas não há maneira de ter certeza porque é tão antigo que nenhuma das características originais foi preservada. A imagem cobre uma área de três quilômetros, a luz solar ilumina a partir da esquerda.
As missões Mars Global Suveyor e Mars Odyssey da Nasa (http://mars.jpl.nasa.gov) têm fornecido evidências de que Marte esteja emergindo de uma era glacial. Em contraste com as eras glaciais terrestres, em Marte os pólos se aquecem e o vapor de água é transportado para locais de baixa altitude onde volta a congelar. Ou seja, a era do gelo marciana termina com o resfriamento dos pólos e o aprisionamento da água nas calotas polares.
As variações na órbita em torno do Sol e na inclinação de Marte produzem mudanças drásticas na distribuição de gelo em Marte. O gelo vai das calotas polares para as terras baixas de Marte. É como se o gelo da Antártica se tornasse líquido, evaporasse e viesse nevar em Vitória. Estes resultados sobre tamanho efeito climático em Marte foram publicados na edição de 18 de Dezembro da revista Nature.
O estudo sugere ainda que a mais recente era glacial ocorreu em Marte há apenas entre 400 mil e 2,1 milhões de anos. O que é muito recente em termos geológicos. Este estudo mostra que Marte (e a Terra) não são planetas "prontos" ou têm climas absolutamente "estáveis". Mas as mudanças climáticas no vizinho vermelho são mais acentuadas que aqui na Terra. Estas conclusões também ajudam a explicar o descoberta de canais, dutos e perfis geológicos que lembram grandes depósitos de água em Marte.
Também se justificam estas observações do clima marciano porque, de todos os planetas que conhecemos, este é o que mais se parece com a Terra. E ambos são, portanto, muito sensíveis a pequenas mudanças na órbita em relação ao Sol.
O fim da era glacial também foi o ocaso de muitas espécies como o mamute, o tigre dente-de-sabre e o homem de Neanderthal. As eras glaciais são cíclicas, mas para a Terra há um agravante: a agressão contínua ao meio ambiente. Estas agressões aceleram as mudanças climáticas, e criam problemas talvez irreversíveis como o buraco na camada de ozônio e o efeito estufa. Podem ainda haver outros problemas que não conhecemos. Portanto, é preciso continuar cuidando e estudando o meio ambiente.
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.
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