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Por que enviamos os robôs ao planeta Marte?
Paulo Antônio de Souza Júnior
Na imagem, o robô que chega a Marte dia 3 de janeiro. Nos detalhes, a sonda pioneira Sojourner, de 1997, e um dos "dedos" do Spirit, o polidor de rochas.
Não é possível levar o homem ao planeta vermelho e o trazer de volta com segurança. Ir à Lua leva poucos dias. Se comparamos a viagem à Lua à travessia de uma piscina olímpica, uma ida a Marte equivaleria a nadar até a Austrália! Com a tecnologia que temos hoje só podemos mandar a
Marte pequenos satélites, naves e robôs. Seu propósito é o de substituir o trabalho de um geólogo em Marte.
Dia 3 de janeiro chega a Marte o robô Spirit, dando início a mais uma jornada de exploração do homem pelo espaço, a primeira grande missão espacial deste milênio. Ele será seguido de um outro, o Opportunity, no dia 24. O tráfego será intenso. Entre outros esforços neste momento, o das agências espaciais européias (Sonda Beagle 2) e japonesa (Nave Nozomi), mas a missão Mars Exploration Rover, da Nasa, a cujo quadro de cientistas pertenço, será a única capaz de se mover em solo marciano.
Controlar um robô na superfície de outro planeta é uma tarefa muito difícil. Os comandos que enviamos da Terra demorarão no mínimo 12 minutos para chegar a Marte. Este tempo aumentará no decorrer da missão porque Marte se distanciará mais e mais da nós. Também não é possível controlar o robô como se faz com carrinhos de controle remoto. Ele receberá uma lista de comandos e executará as tarefas solicitadas.
Os olhos do robô são sofisticadas câmeras coloridas, de alta resolução, e instrumentos que permitem a detecção de minerais à distância. Ele poderá mover-se por até 100 metros a cada dia. Um sistema de inteligência artificial o fará desviar, sozinho, de grandes rochas e terrenos íngremes quando a caminho do seu alvo.
O seu único braço tem o comprimento do braço humano. Move-se como tal e possui quatro dedos. Cada dedo é um instrumento: um analisador químico, um analisador de minerais ferrosos, um polidor de rochas e um microscópio. Este conjunto, olhos, braços, dedos e pernas, nos permitirá analisar Marte quase como um astronauta faria. Um astronauta ainda criança, naturalmente.
Como a sua energia vem dos seus painéis solares, ele dormirá durante a noite marciana. O robô enfraquecerá à medida que os painéis solares forem sendo cobertos de poeira. Calculamos, com dados da missão Mars Pathfinder, que após três meses o robô morrerá. Naquele dia teremos
encerrado, esperamos, um marco da pesquisa espacial. O início está a menos de uma semana...
Leia também "Alô alô Marciano, aqui quem fala é da terra"
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.
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