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Limpa isso bem, que é para viagem!
Paulo Antônio de Souza Júnior
Na foto, técnicos do projeto trabalham com roupas protetoras para evitar a interferência de particulas de poeira e que também fazem parte do esforço permanente para manter equipamentos e veículos livres de contaminação biológica.
Num bate-papo com amigos perguntei o que cada um faria ao mandar uma nave para outro Planeta. Um me disse que escreveria o nome do seu time de futebol preferido, outro o seu próprio nome, outro deixaria a sua impressão digital ou uma gotinha de sangue com o seu DNA. Mandar o próprio nome para Marte foi possível para os pesquisadores da missão. Consegui até enviar o nome da minha filha num dos robôs! Mas a gotinha de sangue... Bem, não é possível, mesmo!
As naves enviadas para Marte são tão limpas quanto instrumentos cirúrgicos prontos para o uso. Por exemplo, a Nasa estabeleceu uma política de proteção planetária. É coisa levada muito à sério. Ela determina, em resumo, que os diversos corpos do nosso Sistema Solar devem ser protegidos da vida Terrestre e o nosso planeta de vida extraterrestre que poderia estar adormecida em amostras trazidas em missões futuras. Esta política tem como base o mais recente entendimento científico das condições planetárias e biologia, e recomendações regulares da Academia de Ciências dos EUA.
Manter a nave o mais limpa possível antes, durante e após o lançamento é muito importante para quaisquer instrumentos científicos que procurem por compostos orgânicos em outros planetas. Tudo nas espaçonaves é limpo e esterilizado. O cuidado chegou a tal ponto que os aqueles que trabalharam na missão Beagle 2 da Agência Espacial Européia não podiam entrar nas salas de integração da sonda gripados. Faziam exames periódicos para verificar se estavam expostos a alguma virose. Tanto cuidado para que os equipamentos que procurassem vida em Marte não analisassem contaminação microbiológica da Terra. Imaginem se descobríssemos o agente da SARS em Marte!
Os cuidados passaram por limpeza com água oxigenada, entre outras substâncias. Depois deste procedimento, detectamos que a densidade média de esporos em superfícies foi de 300 esporos por metro quadrado. Depois, aplicaram-se ciclos térmicos intensos (pasteurização da nave!) e radiação de toda a sorte. Por fim, estes 300 poros por metro quadrado estarão provavelmente mortos.
Tamanha preocupação é justa. Uma rocha de Marte pode manter um vírus mortal adormecido por bilhões de anos. Basta lembrar que no passado, grandes meteoritos caíram em Marte. Com o imenso choque, rochas marcianas foram ejetadas para o espaço. Algumas caíram na Terra. Dentro de uma delas se descobriu o que se supõe ser um fóssil de uma bactéria inofensiva. Se fosse um vírus mutado, poderíamos ter aí a possível causa da mudança do equilíbrio da biota e a extinção da vida na Terra.
Leia também "O risco da contaminação biológica de Marte"
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.
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