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    Batendo ponto em Marte
    Paulo Antônio de Souza Júnior

    Colagem de imagens da NASA O local de pouso do rover Spirit, em 3 de janeiro, a cratera Gusev. Tem 150 quilômetros de diâmetro e fica próxima ao equador marciano. Ela pode ter sido o leito de um antigo lago e o Spirit buscará evidências sobre a capacidade do local sustentar vida no passado.

    Você já dever ter ouvido sobre os desafios e dificuldades cotidianas dos astronautas em suas atividades no espaço. Algumas muito interessantes também são reservadas para os cientistas que trabalham aqui na Terra.

    Um viagem aérea para a Europa ou Ásia sempre vem associada a várias horas de diferenças do fuso. Percebemos esta diferença a Seleção Brasileira joga na Ásia à noite e (não) assistimos ao jogo pela manhã. Após uma viagem aérea para o extremo Oriente, sucedem-se vários dias de desconforto. Este desconforto é conhecido como "jet-leg".

    Felizmente, nosso organismo se adapta bem e rapidamente as estas mudanças porque o dia no Japão também tem 24 horas. Em poucos dias você deverá estar completamente adaptado a uma viagem à Alemanha. Adaptado significa ter sono à noite, acordar disposto, ter fome à hora do almoço... Já estamos acostumados às noites longas no inverno e dias longos verão. Enfim, digamos que já nascemos prontos, que este cronometro "está no DNA".

    O dia em Marte, chamado "sol", dura 24 horas e 40 minutos. Parecido com o dia da Terra? É, mas estes 40 minutos já nos tiram o sono! Veja porque:

    Todos os dias acordaremos o robô às 7 horas no local de pouso em Marte. É a partir deste horário que teremos luz suficiente para gerar energia nos seus painéis solares. Digamos que hoje este horário coincida com o horário em Pasadena, Califórnia, de onde controlaremos a missão. Amanhã, iniciaremos os contatos do dia com o robô às 7hs 40 min em Pasadena. Depois, às 8hs 20 min. Neste ritmo, em 18 dias, acordaremos o robô às 7 horas em Marte e, na Califórnia, às 19 horas! Neste dia, iniciaremos um dia de trabalho ao nascer do Sol em Marte e ao seu pôr na Terra.

    Precisamos, por necessidades da missão, trabalhar no horário marciano. Nosso organismo está adaptado ao dia com 24 horas. Esta diferença em 40 minutos nos põe em uma escala de plantão sui generis. Imagine você batendo o ponto hoje as 10 horas, na semana seguinte às 14hs 40min, na próxima às 19hs 20 min... Melhor pegar o nosso relógio biológico e de pulso terráqueos e jogá-los no lixo!

    A NASA nos disporá algumas facilidades como médicos, psicólogos e relógios ajustados ao horário marciano. Como as galinhas vão dormir com um eclipse do Sol, talvez nos ajude mesmo ter as janelas do quarto de dormir bloqueadas à luz.

    É quase um horário de verão por dia. Doloroso? Tudo bem, será por uma justa causa. E confesso: não vejo a hora de perder este sono, sonhando com Marte...

 
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.


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