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Contaminação de Marte
Paulo Antônio de Souza Júnior

Perdemos a nave Nozomi (foto) da Agência de Exploração Aerospacial Japonesa.
Este satélite foi planejado para ficar em órbita de Marte e realizar
estudos meteorológicos. Como não deveria pousar no planeta, não se cuidou
de esterilizar a nave, tal como acontece com os módulos enviados à
superfície daquele planeta.
Existe o risco de que seus sistemas abriguem formas de vida terrestre
capazes de sobreviver à longa viagem interplanetária. Se ainda resistirem
à entrada na atmosfera poderão iniciar uma nova colônia, povoando Marte.
Por que a preocupação? Não se trata de ambientalismo interplanetário, mas
da possibilidade de um dia um destes organismos retornarem à Terra em uma
missão que de lá traga rochas ou que ainda voltem para a Terra nas roupas
de um astronauta. Havendo mutação, esta poderia ser fatal para a
humanidade ou para outras espécies, alterando o nosso ecossistema. Também
desagrada a muitos pesquisadores a idéia de contaminar um outro planeta,
ainda que não tenhamos novas interações com ele.
A situação indica que provavelmente algum organismo vivo pegou uma carona
para Marte, e que a Nozomi, já sem controle, realmente cairá em Marte. É
possível que estes organismos não sobrevivam à entrada na atmosfera mas,
se chegarem à superfície, provavelmente sobreviverão muito tempo.
Experimentos de laboratório na Terra sob condições climáticas similares
às de Marte apontam que muitos organismos sobreviveram. Outros, sem
querer, foram realizados no espaço: em 1967, microorganismos invadiram a
sonda Surveryor, que fez um pouso na Lua. Sobreviveram por lá quase três
anos, em hibernação, até serem resgatados de volta à Terra pelos
astronautas da Apollo-12.
Os engenheiros japoneses tentam, exaustivamente e já sem esperanças,
desviar a sonda. Seria um milagre ela mudar sua rota fatal. A Nozomi
foi lançada em 1998 e deveria ter chegado a Marte em outubro de 1999. Mas
problemas com eletricidade e propulsão levaram a nave para uma rota
diferente da planejada. Depois de algum tempo sem comunicação ela foi
encontrada e recebeu um novo plano de vôo, passando pertinho da Terra e
ganhando impulso adicional para chegar a Marte.
A situação causada pela Nozomi aqueceu a discussão sobre a esterilização
de satélites e outros dispositivos espaciais que não deveriam retornar à
Terra ou pousar em outros corpos celestes. Sem este cuidado, a pesquisa
espacial toma ares de inconseqüência. Como ainda engatinhamos na área
espacial, temos uma oportunidade de tomar decisões e ações corretas desde
já esterilizando tudo o que mandamos para o espaço.
Leia também "Limpa isso bem, que é para viagem!"
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.
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