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Morte e vida vêm do espaço
Paulo Antônio de Souza Júnior

A passagem de um grande meteorito pelo céu do Sudeste brasileiro foi
assunto corrente em meados do ano. Além dos meteoritos, que mais poderá
vir do espaço? Quando o satélite americano Skylab caiu na Austrália, em
1979, foram recuperados fragmentos pesando, juntos, quase duas toneladas.
Ninguém se feriu com o evento e muitos dos nascidos pelo Brasil, naquele
ano, se chamam "iscailabi", com muitas variações ortográficas. A estação
russa Salyut 7 caiu na Argentina em fevereiro de 91 (foto). A estação MIR pôde
ser direcionada para uma região desabitada da Terra. O satélite italiano
Bepposax atingiu o oceano Pacífico. O perigo de novas quedas existe.
A queda de um grande meteorito seria catastrófica para uma cidade como
Vitória. Não podemos prever estes eventos. Sabemos apenas que, cedo ou
tarde, outros grandes meteoritos cairão na Terra. Os maiores criam
enormes crateras e evaporam tamanha a energia térmica gerada por sua
queda. Há aproximadamente 250 milhões de anos, em Araguainha, MT, um
grande meteorito atingiu o solo criando uma cratera de 40km de diâmetro.
O efeito foi devastador para a vida a até centenas de quilômetros de
distância do local de impacto.
O mesmo pode acontecer, novamente, a qualquer momento. É pouco provável
que possamos prever ou nos defender desta catástrofe. Mas podemos chegar
lá, com o desenvolvimento da tecnologia espacial. Escolhemos a cratera
Gusev (300km de diâmetro) para pouso de um dos nossos robôs em Marte.
Os
meteoritos e as amostras trazidas da Lua, pelo Programa Apollo e pelas
naves russas não-tripuladas, são os únicos materiais extraterrestres que
temos para estudar nos laboratórios e entender melhor a evolução do nosso
sistema solar.
Alguns presentes do céu merecem especial atenção. São os meteoritos que
vieram de Marte. Podem ter sido ejetados da superfície do planeta vizinho
pela queda de outro grande meteorito. Sabemos que são rochas marcianas
porque em razão de certos elementos radiativos típicos, uma espécie de
DNA de Marte. Uma destas rochas foi encontrada em 1958 por um garimpeiro
em Governador Valadares. Outra, entre quase trinta reconhecidas como
marcianas, caiu na Antártica (o ALH 84001).
O estudo deste meteorito
marciano revelou algo que mudou nossa percepção de vida no Universo. Ele
trouxe de Marte estruturas fossilizadas que os cientistas associaram a
bactérias. Esta é, na opinião de muitos pesquisadores, a evidência de
vida extraterrestre. Se estiverem certos, não estamos sós no Universo.
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.
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