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Seu filho e as estrelas
Paulo Antônio de Souza Júnior
Na ilustração, a galáxia Centaurus A em imagem obtida pelo telescópio espacial Hubble. No detalhe, uma visão artística do que poderão ser as futuras explorações espaciais a serem conduzidas pelas crianças de hoje.
A Nasa faz a luz das estrelas brilharem nos olhos dos jovens americanos. Ela exige que seus pesquisadores dediquem pelo menos 5% do seu expediente em ações de educação e engajamento público. Como pesquisador da missão Mars Exploration Rover, participo de programas
educacionais da Nasa nos Estados Unidos. Venho repetindo, voluntariamente, algumas destas ações pelo Brasil. A Nasa é uma instituição comprometida em ajudar a desenvolver e inspirar a próxima geração de exploradores, cientistas, engenheiros e pesquisadores.
O faz até mesmo porque a sua sobrevivência depende disso. O Programa de Estudantes Internos da próxima missão a Marte estabeleceu regras, selecionou professores e estudantes americanos para trabalharem
diariamente com os cientistas, compartilhando o entusiasmo da equipe na aventura de pesquisa e descoberta espaciais (http://mars.jpl.nasa.gov/mer/fido/students.html).
Os alunos e os professores, por sua vez, se comprometem a disseminar esta experiência marcante entre os colegas e sua comunidade. Trata-se de uma atividade gratificante para todos os envolvidos. Nenhum profissional precisa participar de uma missão da Nasa para desenvolver uma atividade similar.
Nossos cientistas deixam os seus laboratórios e vão mostrar a
importância do seu trabalho para os nossos estudantes? A maioria não. As raras exceções são as Semanas Técnicas, realizadas em Universidades.
Quem delas participa vê brilharem novas estrelas: os olhos dos
nossos jovens. O Núcleo de Ciências da Ufes (http://www.ufes.br/~nucleoc/) e a experimentoteca do Centro de Divulgação Científica e Cultural da USP e de colaboradores (http://www.cdcc.sc.usp.br/exper.htm) são bons exemplos de difusão científica a serem seguidos por outras instituições de ensino e por entidades profissionais organizadas.
A inspiração por alguma carreira pode ser distorcida por uma visão míope do seu dia-a-dia, dos seus desafios e dos seus (dis)sabores. Os alunos brasileiros são curiosos, inteligentes e criativos, mas desmotivados para o estudo. Desmotivados, produzem pouco, aprendem menos e limitam seus objetivos, se os têm, a metas medíocres.
Defendo a iniciativa de projetos, similares aos da Nasa, que levem alunos a se dedicarem mais aos estudos e a definirem melhor suas carreiras futuras. Eles entenderiam que a cultura é meio, e não fim. E a falta dela, o princípio de muita doença social. Não me surpreende que, mesmo após o trágico acidente do ônibus espacial, o jovem americano continua sonhando em ser astronauta.
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.
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