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    Por que os foguetes falham?
    Paulo Antônio de Souza Júnior

    Foto Aeronáutica/Radiobrás
    Durante o projeto Apollo, o então chefe de segurança da Nasa, a agência espacial americana, afirmou: "A missão Apollo 8 contém 5,6 milhões de componentes. Mesmo que haja uma confiabilidade de 99,9% em cada item, podemos esperar 5 mil e 600 falhas!"

    As missões espaciais têm elevado risco. Em 24 de outubro de 1960, a então União Soviética preparava-se para lançar o foguete R16. Um vazamento de combustível provocou a explosão do artefato, matando 59 técnicos que trabalhavam no sistema 30 minutos antes do lançamento.

    No dia 27 de janeiro de 1967, os três astronautas da Apollo 1 morreram em um incêndio antes do lançamento da nave. Um outro astronauta do programa disse, ao chegar à plataforma de lançamento: "Ainda bem que aconteceu aqui, porque em vôo jamais teríamos a chance de descobrir o que de fato aconteceu".

    As tragédias com os ônibus espaciais revelam que não se pensou em absolutamente tudo. O imprevisto pode ser causado por frio intenso na noite que precede o lançamento ou por dano à cerâmica que isola a nave do calor resultante da entrada na atmosfera.

    A aviação comercial é repleta de casos de falhas. Os aviões são exaustivamente testados e utilizados nas mais diversas situações. São milhares de vôos diários em todo o mundo. Ainda assim, o problema no reverso durante a decolagem, ocorrido em Congonhas, causou o acidente mais grave da aviação brasileira. O mais importante é aprender com as falhas e implementar sistemas que resolvam o problema imediatamente. Por exemplo, poucos dias depois deste acidente, todas as aeronaves comerciais a jato do planeta estavam com sistemas de proteção ao fechamento do reverso em vôo.

    Diz-se que muitos sistemas dos aviões comerciais são duplicados para garantir segurança. Esta garantia pode ser ficção. Existe um erro conceitual na duplicação de sistemas de vôo. Nós estamos acostumados a construir coisas idênticas de tal modo que, se uma falhar, as outras também irão falhar. É mais importante ter a certeza que todo o dispositivo seja tratado como se o seu funcionamento fosse vital.

    Os foguetes falham porque são complexos e muitos dos seus dispositivos são vitais. Também porque ainda num vôo bem-sucedido ocorrem falhas que não podem ser investigadas. O sucesso das futuras missões do nosso programa espacial pressupõe conhecer a falha que causou a explosão do VLS. Daí a importância de se investigar minuciosamente as causas do acidente em Alcântara (foto). Uma conclusão errada pode ser o prefácio de uma nova tragédia.

 
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Galeria de fotos - Imagens sobre a missão de exploração, da preparação e testes com o protótipo Fido (foto) até o solo marciano.


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